A Proteste - associação da qual tenho muito orgulho de ser associada em virtude de sua luta constante, e que já dura 10 anos, na defesa dos interesses dos consumidores - divulgou em seu site um balanço geral do que os consumidores ganharam ou perderam em 2011 com relação aos seus direitos.
Nós como consumidores tivemos algumas vitórias significativas quanto aos nossos direitos, mas também, infelizmente, amargamos alguns retrocessos que nós deixaram muito tristes.
Vamos então começar com as notícias boas. Nossa vitória na luta contra o abuso nas relações de consumo teve os seguintes resultados:
* Melhorias em algumas áreas dos planos de saúde, como a atualização do rol de procedimentos de coberturas obrigatórias pela ANS, que agora inclui 69 novos procedimentos (Isso é muito bom!)
* A nova oferta de adaptação e migração dos planos antigos à lei atual dos planos de saúde, além da ampliação das regras de portabilidade e a fixação de prazos para atendimento. Consultas básicas agora devem ser realizadas em até sete dias, enquanto procedimentos complexos têm prazo máximo de 21 dias.
* A Lei de nº 12. 529/2011, que criou o Super Cade, foi positiva pois trata-se de uma mudança para dificultar a criação de monopólios com a fusão ou aquisição de empresas. Na análise de fusões e aquisições serão feitas exigências prévias dessas operações. Elas deverão ser submetidas ao Cade antes de serem consumadas, e não depois, como acontece hoje.
* No âmbito internacional conseguiu-se que líderes do G20 manifestassem apoio à criação de um novo organismo internacional voltado à proteção dos consumidores financeiros. Isso foi resultado da mobilização organizada pela Consumers International (CI), federação que engloba entidades de defesa do consumidor em todo o mundo, entre as quais a PROTESTE.
* Debates ao longo do ano para a atualização do Còdigo de Defesa do Consumidor , para incluir questões de superendividamento, comércio eletrônico e ações coletivas. É vital que as emendas não desfigurem as conquistas na fase de tramitação do anteprojeto no Congresso e mantenham o espírito do Código, que é propositadamente genérico para possibilitar interpretações a respeito de todas as práticas de consumo.
* Discussão sobre o fortalecimento dos Procons e a proteção de dados pessoais por meio de anteprojetos de lei elaborados pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça. Projetos de lei em tramitação no Congresso querem alterar pelo menos 40% do CDC, nas partes que se referem a banco de dados, práticas abusivas e direito à informação. Se o Código se manteve íntegro até hoje, é porque ele é moderno e abrangente.
* Entre as expectativas para o ano que vem há a Rio + 20 -, e esperamos que haja o compromisso dos líderes dos países em incentivar o consumo sustentável, que gerem mudanças efetivas nos padrões de produção e consumo. Hoje falta comprometimento do governo para promover o tipo de consumo que não prejudica o meio ambiente.
Contudo, não podemos deixar de apontar os retrocessos...
* O projeto da Lei Geral da Copa suspendeu os direitos do Código de Defesa do Consumidor (CDC), do Estatuto do Idoso e da Meia-Entrada durante a Copa de 2014. A PROTESTE criou uma campanha para que não se mexa nos direitos conquistados nesses 21 anos do CDC. (Isto é lamentável, uma vez que a FIFA deveria se enquadrar às leis brasileiras e não o contrário! É um retrocesso significativo no direito do consumidor e vai além, fere a soberania de um país. Mas, como diria o ditado: No país do futebol, quem tem a bola é o rei!)
* Medidas adotadas pela Anatel, como o Termo de Compromisso com as Teles, para ofertar desvantajosos e limitados planos de banda larga popular. A PROTESTE entrou com ação civil pública, que tramita na 3ª Vara da Justiça Federal.
* O aumento dos problemas com compras on-line e sites de compras coletivas. A lei do SAC, apesar de existir a três anos, ainda não ajuda quem precisa reclamar seus direitos, pois é difícil obter cópia das gravações ou ser atendido no prazo fixado por lei. (Temos que continuar lutando para que essas empresas "donas da verdade" se enquadrem nas leis! Devemos fazer uma pressão social para que a legislação seja cumprida!)
* Apesar de representarem um avanço, leis como a da entrega com turno mercado não têm sido respeitadas pelas empresas em vários estados. As que a cumprem cobram um valor elevado para definir o horário da entrega.
* Na área de planos de saúde, aumento das reclamações devido à quebra de operadoras que entraram em liquidação e foram repassadas para outras empresas.
* É preocupante que 45% dos usuários dos planos de saúde estejam hoje em planos considerados ruins ou medianos, de acordo com o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) divulgado pela Agência Nacional de Saúde (ANS).
Fonte: Proteste - http://www.proteste.org.br/consumidor/perdas-e-ganhos-do-consumidor-em-2011-s558971.htm
Bem, esses foram os principais temas do ano com relação aos direitos do consumidor.
Vamos torcer para que em 2012 haja mais vitórias do que retrocesso!
Até a próxima!
